quarta-feira, 15 de março de 2017

Novo livro de J.T.Parreira: Sou Lázaro e Vou Recomeçar


Em seu mais novo e-book, o estimado poeta João Tomaz Parreira, com sensibilidade e singularidade emblemáticas, nos apresenta uma reunião de poemas tendo por eixo temático esta personagem ímpar das escrituras, Lázaro, (protó)tipo de todo homem que se achega a Cristo.

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domingo, 12 de março de 2017

O CAMINHO PARA EMAÚS

Conversávamos pensativos sobre as coisas
Que aqueles dias nos traziam, os prodígios
Que acabavam, por terra
Quase o terceiro dia, a noite
Na palma das nossas mãos vazias
Até que sem nenhum gesto grandioso
Senão o do instante, Alguém
Se aproximou a um passo de distância
Dos nossos olhos cegos
E sabia, esse Estranho, tudo o que sabia
Deus veio à nossa mente.


09-07-2014

©  João Tomaz Parreira

sexta-feira, 10 de março de 2017

O Judeu Eterno, poema de Iaacov Cahan


O JUDEU ETERNO

Um Judeu errante encontrou certa vez um homem
com um machado na mão, o trajo sujo de sangue.
O Judeu murmurou: "Deus!" e para trás deu um pulo.
O homem também se assustou, o seu rosto fez-se escuro.
"Por que erra você por aqui, Judeu?" disse ele.
O Judeu sentenciou: "Deus permanece sempre".
O homem gritou furioso: "O que é que você murmura?"
O Judeu replicou: "Deus é juiz, faço anúncio".
Ele brandiu seu machado, golpeou o Judeu no rosto.
O Judeu caindo gritou: "Deus vinga o que está morto!"
Ora quando o mesmo homem um dia se foi à praia,
Deparou-se-lhe o Judeu quando ia de um lado a outro.
Aturdido ele gritou: "Mas como, você ainda vive!"
Deu-lhe o Judeu a resposta: "No Senhor subsisto".
Agarrou ele o Judeu, jogou-o dentro da água.
O Judeu afundou e não proferiu palavra.
Ora quando o mesmo homem um dia saiu para a caça
encontrou ele o Judeu, esperando-o, cara a cara.
Danou-se ele e berrou: "Com vida sempre você!"
"Com auxílio do Senhor!" respondeu-lhe o Judeu.
Ele fez pontaria, acertou-lhe um projétil no peito
o Judeu caiu; e caindo invocou seu Deus.
Aquela noite o homem sonhou. E que sonho foi que teve?
Ante ele estava o Judeu. Vivo, aparentemente.
Ele o fitou com agudez, e murmurou uma vez outra:
"Deus vê o que se passa, Ele é juiz como outrora".
Ele saltou para o agarrar, ele brandiu o seu punho.
O Judeu se ergueu no ar e se desmanchou entre o fumo.
Pela manhã ele escutou as suas batidas à porta.
Pela tarde ainda o viu, defronte, dando passadas.
Ele voltou nos seus sonhos. Ele até hoje ainda volta.
Ele perturba o seu sono, seus vagares, assim falam.
Que poder nele se oculta? Que segredo se veda?
Ele tem Deus nos seus lábios, na sua ascensão e sua queda.

Tradução de Zulmira Ribeiro Tavares

In Quatro Mil Anos de Poesia (Org. de J. Guinsburg)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

A ORELHA FERIDA DE VAN GOGH






Ponho-me na orelha de Van Gogh
Como Van Gogh
Metia nas suas botas gastas
Os pés, que punha e tirava. A orelha
De Van Gogh levava consigo o crocitar
Dos corvos e o brandir de espigas
Contra os céus. Ponho-me no lugar
Do silêncio da orelha de Van Gogh
Ele fê-lo por necessidade, para ouvir
Apenas o que vem depois de nada.

27-05-2016 
© João Tomaz Parreira

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Paul Claval: Fundamentalismos


(...) As situações de contato cultural abrem assim a via aos questionamentos. Fazendo descobrir outros códigos e outros sistemas de regras, convidam ao questionamento das bases do universo no qual se vive. Em face ao perigo de uma eventual subversão, a reação pode ser, ao inverso, a de se fechar no seu próprio sistema e condenar aqueles com os quais está se confrontando — é a lógica dos fundamentalismos. 
Nas sociedades onde a cultura é bastante diversa e aberta para que apareçam os grupos especializados na manipulação de seus aspectos abstratos, filosóficos, científicos, religiosos ou artísticos, o desenraizamento faz freqüentemente parte das técnicas de base da formação dos indivíduos: desde a Renascença, as elites europeias foram iniciadas, ao mesmo tempo, na sociedade de seu tempo, e na língua e na cultura da Grécia e da Roma antigas. A frequentação da Bíblia oferecia um terceiro pólo de distanciamento. A plasticidade da cultura ocidental, sua capacidade de mudar de códigos, de regras ou de normas sem perder sua unidade e sua inspiração profundas deve-se, sem dúvida, a este fato. 

in Geografia Cultural (Editora da UFSC, 2007)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

INSULTO, poema de Carlos M. Grunberg


Insulto

Chamaste-o judeu com magnífica fúria.
Gritaste-lhe judeu com soberba coragem.
A palavra judeu te parece uma injúria,
a palavra judeu te parece um ultraje.

Ele a tinha por símbolo de glória e de martírio,
guardava-a como um signo de trágica grandeza.
Pela sua pureza a equiparava a um lírio,
a um lírio a equiparava pela sua beleza.

Agora vê com olhos mais agudos e sábios.
Vê tão diafanamente como o que apalpa e toca.
Vê que todos os nomes ofendem em teus lábios,
que todas as palavras insultam em tua boca.

Tradução de Renata Pallotini

in Quatro Mil Anos de Poesia (J. Guinsburg, org.)


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

LA LUTTE AVEC L'ANGE



Começou o Anjo. Ou começou Jacob.
O que nos chega aos ouvidos é o rumor
do vento sobre as águas, sem asas só as mãos 
do Anjo voam e enlaçam o corpo de Jacob
o silêncio do mundo não consegue
perceber as suas vozes, Jacob responde
com as armas que tem, o braço forte
de quem amou duas mulheres.
O nome não sabiam um do outro, só o ardor
a combater a solidão, os corpos como cálices
onde terra e céu se misturaram no suor
até que a torrente do dia seja clara.
 17-01-2017
© João Tomaz Parreira


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