domingo, 15 de abril de 2018

O pensamento de Liev Tolstoi em livro gatuito



O romancista russo Liev (também dito Lev, Leon, Leão) Tolstoi nasceu em 1828, na pequena vila de Yasnaya Polyana.
Para além de sua obra literária que se configura como uma das maiores já criadas, Tolstoi ganhou fama como pacifista e pensador. Suas ideias, que versam do anarquismo ao vegetarianismo, iam de encontro ao status quo vigente, mesmo entre instituições cristãs, algumas das quais ele denunciava como não vivendo o verdadeiro cristianismo, conforme pregado por Cristo no Sermão da Montanha (Mateus caps. 5 a 7).
Reunimos aqui trechos de reflexão que vão da educação à religião, de ética à literatura, de felicidade à dor, avançando por temas os mais diversos. A sabedoria de um dos maiores autores da humanidade aqui se faz presente, em pequenas doses, cápsulas para alimentar o seu dia a dia.
Tenha uma boa leitura!

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quarta-feira, 21 de março de 2018

OS JUDEUS FIZERAM PERGUNTAS DIFÍCEIS




And the Arabs asked terrible questions”
Lawrence Ferlinghetti


Os Judeus fizeram perguntas difíceis
Em Auschwitz, com socas de madeira
Que soavam no silêncio do chão
Por que Deus não esteve ali
A abençoar o pão negro, teria emagrecido
O seu amor peculiar? Como pôde
Suportar aqueles dias?
Por que caía aquela chuva fina sem arco-íris?
Nem Moisés triunfando sobre o mal
Nem os salmos abrindo os mistérios legíveis
Os Judeus fizeram perguntas terríveis
Por que o Senhor permaneceu em silêncio
E ninguém sabia o que dizer.
Nem sim nem não.

20/03/2018
© João Tomaz Parreira



quinta-feira, 8 de março de 2018

MULHER


(Michelle Obama)




“Fragile, opulenta donna, matrice del Paradiso”
Alda Merini


Não és assim tão frágil como dizem
Aqueles que espreitam ainda através
Das árvores do Paraíso, depois de tudo
O que se passou és um grão de dor
Nos olhos de Deus, o teu sexo fraco
- ainda dizem, É mais forte do que o nosso
A maravilha é que tu sabes chorar
E são as tuas lágrimas que ainda regam a terra.


07/03/2018

© João Tomaz Parreira


domingo, 25 de fevereiro de 2018

O GRUPO, poema de Paulo Cavalcanti de Moura


O GRUPO

Paulo Cavalcanti de Moura

O grupo é assim:
Gente que é gente
E que não sabe que os outros são gente
Como a gente,
Com um lado bom e outro ruim

No grupo tem de tudo:
Botucudo e tupiniquim.
Tem falador e tem mudo,
Mas ninguém é igual a mim.

Tem doutores e tem tímidos,
Agressivos e dominados
Tem mãe e tem filhos,
Tem até mascarados.

E o grupo vai girando,
Mudando a vida da gente
O calado sai falando,
O pessimista contente

O grupo é como a vida,
Mas se entra, já vamos indo
Quem ri acaba chorando,
Quem chora, acaba rindo

Uma coisa a gente aprende:
Que o outro é como eu
Chora, ri, ama e sente
Mas quase tudo depende da gente:
Que  grupo danado! Que vivência atroz!
O eu e o tu se atacam
Mas depois eles se amam,
Em benefício de nós.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

SYLVIA PLATH ON THE BEACH (27/10/1932 - 11/02/1963)




À beira do mar, na areia do meio-dia

Os teus lábios mantêm um sorriso inconsumível

Nem o vento arranca fios de ouro aos teus cabelos

Na pose de quem tem os olhos nas coisas singulares.

Todo o princípio da poesia

Sob a capa transparente do sol ao longo do teu corpo

preparavas o salto felino da beleza

que ainda hoje nos devora.



11/02/2018

© João Tomaz Parreira

sábado, 3 de fevereiro de 2018

LISBOA, 1494



Lisboa, 1494

Dois anos antes de 1496, dois anos antes do Rei Manuel I, bem intencionado filho comum da Idade das Trevas, expulsar os judeus de Portugal: Um sábio rabi, judeu lisboeta solitária e espontaneamente converso a Cristo, desejoso de auxiliar com sua sabedoria o avanço do Reino, ao iniciar de cada dia, assim orava a Sabaoth o Santíssimo:
- O que posso fazer hoje pelos que te servem?
E, no dia seguinte, divergia sua oração nest’outro sentido:
- O que posso fazer hoje pelos que te amam?

Pois, sem horror ou escândalo, sentimentos próprios das bestas e dos noviços, o sábio havia aprendido que nem todos que O amam O servem, e nem todos que O servem O amam. Com desprezo pelo paradoxo, o auto sacrifício perfeito de um sábio, resignava-se a soldado e cumpria o seu papel.

Sammis Reachers

domingo, 28 de janeiro de 2018

TEU NOME

alba de luz somnolienta
Octavio Paz, “Tu nombre”

Parte de mim, lume aceso sobre as quimeras
quando a treva dá por trás
e já não tenho para que lado abrir
a aurora
sem ele
tudo é sono: a luz e a sombra,
a espera e o alcance, a fome e o estar saciado
não há fruto que amadureça,
é para sempre verde, imóvel e instante
sem ele
o vento sibila até quebrar os mastros
o vento é todo o território da realidade
que a própria terra leva, desfeita
sem ele
os meus órgãos envelhecem, a minha pele
dissipa com os fogos-fátuos,
é um húmus com o húmus
sem ele
o néctar não acha abelha
para o seu poema
sem ele
tenho espinhos na coroa
mas com ele
os espinhos têm rosas
Rui Miguel Duarte
21/01/18
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